Atlético-MG

Atlético-MG: a declaração de Lyanco sobre sua saúde

O zagueiro Lyanco, atualmente no Atlético-MG, tem utilizado sua trajetória pessoal para levantar uma pauta ainda pouco explorada no futebol brasileiro: a saúde mental. Aos 28 anos, o defensor tornou público o enfrentamento contra crises de pânico que marcaram sua passagem pelo futebol do Catar. O relato sincero trouxe à tona episódios intensos de sofrimento emocional que, segundo ele, chegaram ao ponto de fazê-lo acreditar que não viveria para ver os filhos crescerem.

Durante seu empréstimo ao Al-Gharafa, em 2024, sintomas como tontura, tremores, respiração ofegante e a sensação de estar à beira da morte tornaram-se recorrentes. Lyanco conta que chegou a interromper atividades cotidianas por medo de desmaiar em público. O desconforto físico constante o levou a buscar ajuda médica de várias especialidades, mas os exames nunca apontavam nenhuma causa fisiológica. “Dormia com o peito apertado e tremendo. Achava que era algo muito grave”, relatou.

O caminho até o diagnóstico correto foi longo. Inicialmente, nem mesmo pessoas próximas compreendiam o que ele estava enfrentando. Alguns chegaram a minimizar o problema, sugerindo que era “coisa da cabeça”. Contudo, o apoio da esposa Yasmin e de profissionais da área da saúde mental foi fundamental. A partir desse suporte, Lyanco começou a entender que os sintomas estavam ligados à síndrome do pânico — condição que, de acordo com especialistas, pode surgir repentinamente e provocar sensações extremas de angústia e descontrole.

Após identificar o problema, o jogador iniciou um tratamento baseado em acompanhamento psicológico contínuo e uso de medicamentos. A decisão de retornar ao Brasil, em julho de 2024, foi estratégica. No Atlético-MG, encontrou um ambiente mais acolhedor, tanto dentro quanto fora de campo. Desde sua estreia, tem se destacado com atuações consistentes e chegou a marcar dois gols na final do Campeonato Mineiro contra o América-MG, em março de 2025.

Ainda em tratamento, Lyanco acredita que compartilhar sua vivência pode auxiliar outros atletas a buscarem ajuda. “Hoje está diferente, mas continuo com os cuidados. Isso é algo que quero manter”, afirmou. Ele também destacou que não se trata apenas de um problema individual, mas de uma questão que exige atenção dos clubes e profissionais do esporte, já que a pressão pelo rendimento pode intensificar distúrbios emocionais.

Ao refletir sobre o processo, o zagueiro se mostra mais consciente da importância do equilíbrio emocional. Em campo, encontra uma válvula de escape, mas reconhece que a luta contra o pânico não se resume aos 90 minutos de jogo. Sua história, marcada por superação e resiliência, amplia o debate sobre saúde mental no futebol e reforça que pedir ajuda é um ato de coragem — e não de fraqueza.

Paula Silva

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