São Paulo

A declaração do presidente do São Paulo sobre a chegada da SAF: ‘Tendência…’

Julio Casares, presidente do São Paulo, confirmou que o clube avalia mudanças profundas na gestão, incluindo a possibilidade de adotar um modelo empresarial semelhante à SAF. Embora ressalte que não se trata de transformar o Tricolor em uma “SAF pura”, o dirigente reconhece a tendência crescente entre os grandes clubes do país.

“A SAF não é um milagre, mas acredito que o melhor modelo é algo que priorize a gestão do futebol”, afirmou. Segundo ele, é inevitável que as agremiações que não modernizarem suas estruturas administrativas fiquem para trás, perdendo capacidade de investimento e competitividade.

Aliás, conforme explicou, o São Paulo já negocia parcerias estratégicas com empresários internacionais. Entre os nomes mencionados está Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest, Olympiacos e Rio Ave.

A ideia, de acordo com Casares, é firmar acordos operacionais que atraiam capital e ofereçam caminhos diretos para o mercado europeu.

Cotia como trunfo e preocupação

Cotia, centro de formação de atletas do clube, segue como peça-chave no planejamento. Contudo, o presidente destacou um problema recorrente: jogadores já chegam ao elenco profissional com seus direitos econômicos divididos.

“O jogador da base tem sócio invisível que não põe dinheiro: 20% da família, 10% do empresário… Eu vendi o Beraldo e eu tinha só 60% dele”, revelou, ao lembrar da venda do zagueiro para o PSG.

Nesse contexto, a busca é por um investidor que injete recursos de forma estruturada e que, posteriormente, participe dos lucros em eventuais transferências. “Tem que ter muito critério e jamais é vender ativo da base. É um acordo de valor operacional”, ressaltou.

Projeções e metas para o centenário

Embora reconheça os desafios financeiros, Casares aponta que o São Paulo passa por um processo de reorganização. Segundo ele, a dívida acumulada deverá ser sanada até o ano do centenário, em 2030.

Ele destacou os títulos conquistados recentemente como instrumentos de reconstrução do vínculo com os torcedores. “No primeiro mandato tínhamos a ideia de voltar à autoestima do time. Ganhamos o Paulista, a Copa do Brasil e a Supercopa”, relembrou.

Para o futuro próximo, o objetivo é disputar reforços com os principais concorrentes. “Em 2027, 2028 o São Paulo começa a dar os primeiros passos para disputar jogadores importantes com clubes que têm mais dinheiro em caixa, como o Palmeiras”, projetou.

Defesa por mudanças externas

Além do foco na reestruturação interna, Casares defende ajustes na legislação estadual. Ele declarou ser favorável à liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios paulistas. “Todos os estados podem, menos em São Paulo. O torcedor bebe na rua e entra no estádio faltando cinco minutos”, argumentou.

Segundo ele, a liberação representaria uma nova fonte de receita, além de contribuir para o controle do ambiente dentro das arenas. “Vamos brigar para que essa lei seja derrubada”, concluiu.

Ana Teixeira

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