torcida do Flamengo no Maracanã (Foto:Adriano Fontes/Flamengo)
O Flamengo atravessa um momento delicado em relação ao futebol feminino. Após a saída da treinadora Rosana Augusto, a estrutura do departamento passou a ser alvo de fortes críticas, impulsionando uma mobilização inédita entre os torcedores. O coletivo “Meninas da Gávea em Pauta” pretende apresentar um conjunto de propostas diretamente ao conselho do clube, a fim de provocar mudanças significativas na gestão da modalidade.
A iniciativa surgiu a partir da percepção de falhas estruturais e administrativas. Entre os pontos levantados pelo grupo estão a ausência de um calendário contínuo para as categorias de base, as deficiências na infraestrutura do centro de treinamento e a baixa visibilidade dos jogos, fatores que, segundo eles, comprometem o desenvolvimento da equipe feminina.
“O objetivo é que o feminino tenha um espaço mais sólido, assim como o masculino. Inicialmente, criamos um grupo de WhatsApp, mas hoje atuamos interligando pessoas que produzem conteúdo e desenvolvendo propostas estratégicas”, explicou um dos representantes do coletivo, que preferiu não se identificar.
De acordo com os organizadores, as propostas incluem medidas de curto, médio e longo prazo, como o fortalecimento da base, melhorias nos espaços físicos da Gávea e a criação de ações de engajamento com a torcida. Além disso, está prevista a entrega de um documento oficial à bancada feminina do clube, com suporte jurídico especializado em políticas públicas e futebol feminino.
A movimentação dos torcedores ocorre paralelamente às denúncias feitas pela jornalista Renata Mendonça, que exibiu nas redes sociais imagens do vestiário do time feminino no Centro de Futebol Zico (CFZ). Nas imagens, é possível ver torneiras quebradas, ralos entupidos e um campo com dimensões menores que as oficiais. A estrutura de fisioterapia, segundo a comentarista, chega a ser improvisada com um balde.
— “Essa é a estrutura que o Flamengo, o clube mais rico do país, oferece às suas jogadoras profissionais. São 25 jogadoras que têm que usar esse espaço diariamente, claramente, um espaço apertado” — afirmou Mendonça em vídeo divulgado pelo Dibradoras.
O clube, por sua vez, ainda não apresentou resposta oficial sobre as imagens divulgadas. Contudo, o gerente de futebol feminino, André Rocha, declarou recentemente que “a modalidade está crescendo” e que “tem tudo para ser forte”, negando qualquer tipo de desmanche no departamento.
Por fim, o coletivo rubro-negro reforça que o momento exige planejamento e compromisso institucional. A proposta é dar voz à torcida e construir, junto ao clube, um caminho que garanta condições profissionais e sustentáveis para o futebol feminino no Flamengo.
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