Rival do Palmeiras na Libertadores pode ser punido pelo Conmebol

Allianz Parque, estádio do Palmeiras (Foto: Reprodução/Palmeiras)

A Conmebol iniciou um processo disciplinar para investigar um episódio de racismo ocorrido na partida entre Sporting Cristal e Palmeiras, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores. O jogo foi disputado na quinta-feira (03), no Estádio Nacional do Peru, e terminou com vitória do clube paulista por 3 a 2.

Após o apito final, um torcedor do Sporting Cristal foi flagrado fazendo gestos racistas direcionados aos torcedores palmeirenses. As imagens, que mostram o homem imitando um macaco, foram registradas por Rodrigo Wirth, um torcedor brasileiro presente nas arquibancadas, e rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

O Palmeiras emitiu uma nota oficial na qual repudiou veementemente o ocorrido. Na mensagem, o clube criticou a impunidade diante de casos semelhantes e cobrou medidas da Conmebol, das autoridades peruanas e também do próprio Sporting Cristal. “Se providências não forem tomadas, gestos como os de hoje continuarão se repetindo, com a bênção da impunidade”, declarou o Alviverde.

Além disso, o Palmeiras relembrou um episódio recente de injúria racial sofrida pelo atacante Luighi, durante partida contra o Cerro Porteño pela Libertadores sub-20. Na ocasião, a presidente Leila Pereira acionou diretamente a Fifa, solicitando providências em relação à postura da Conmebol e de seu presidente, Alejandro Domínguez, diante da recorrência dos ataques racistas.

Sanções por parte da Conmebol

Conforme o artigo 15 do Código Disciplinar da Conmebol, atos de discriminação estão sujeitos a uma multa mínima de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 573 mil). Em caso de reincidência, o valor pode chegar a US$ 400 mil (R$ 2,244 milhões). Entre outras sanções possíveis, estão a realização de jogos com portões fechados, o fechamento parcial do estádio e a exibição de mensagens contra o racismo por parte do clube envolvido.

A entidade sul-americana informou que está recolhendo a documentação necessária para analisar o caso. Somente após essa etapa será definida a aplicação de eventuais sanções ao clube peruano. A investigação segue em andamento e deve contar com o apoio das autoridades locais para a identificação do autor do gesto racista.

Nota do Palmeiras na íntegra

“É desgastante que, semana após semana, tenhamos de nos manifestar em razão de atos racistas praticados em jogos de futebol. A reincidência deste crime, cometido nesta quinta-feira (3) por um torcedor do Sporting Cristal-PER, que imitou um macaco em direção a palmeirenses presentes no estádio, demonstra novamente que as medidas adotadas até o momento são inadequadas e insuficientes para combater os insistentes episódios de discriminação racial ocorridos nos gramados sul-americanos.

Que o Sporting Cristal, as autoridades de segurança pública do Peru e a Conmebol tomem as devidas providências; do contrário, gestos como aos que assistimos hoje continuarão se repetindo, com a bênção da impunidade. Quanto ao Palmeiras, seguimos leais ao nosso compromisso de lutar contra toda e qualquer forma de discriminação. Racismo não é provocação! Racismo é crime!”