Flamengo toma atitude envolvendo gramados sintéticos

Estádio Nilton Santos (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) discute a criação de um Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) para o futebol nacional, inspirado em modelos de fair play financeiro adotados na Europa.

Nesse contexto, o Flamengo formalizou sua participação nas discussões com o envio de um documento à comissão responsável, propondo diretrizes que visam à transparência, equilíbrio econômico e integridade esportiva.

Entre os pontos mais polêmicos, o clube defendeu a proibição imediata de gramados artificiais em torneios profissionais.

Proposta sobre gramados gera repercussão

No texto, o Flamengo argumenta que os campos com superfície sintética causam desigualdade financeira entre os clubes e apresentam riscos à saúde dos atletas. A recomendação é que os gramados artificiais sejam eliminados de todas as competições nacionais.

“Os gramados de plástico devem ser eliminados imediatamente de todos os torneios nacionais profissionais. A discrepância nos custos de manutenção entre gramados naturais e artificiais provoca desequilíbrios financeiros entre os clubes e prejudica a saúde física de jogadores e atletas”.

A proposta afeta diretamente clubes como o Palmeiras, que manda seus jogos no Allianz Parque, estádio com gramado sintético.

A rivalidade entre Flamengo e Palmeiras, acirrada por disputas recentes de títulos, ganhou novo capítulo com essa iniciativa, apresentada no mesmo dia em que decisões do STJD envolvendo jogadores rubro-negros aumentaram o clima de tensão entre as diretorias.

Conjunto de propostas para o SSF

O Flamengo apresentou dez sugestões à CBF como contribuição à construção do SSF. Além da questão dos gramados, o clube defende:

  • Restrições para clubes em recuperação judicial ou extrajudicial (RJ/REJ), com perda de pontos e bloqueio para registro de atletas;

  • Definição ampla de custos do futebol, incluindo direitos de imagem, comissões e bônus;

  • Medidas para impedir disfarce de gastos do elenco principal como investimento em base ou futebol feminino;

  • Exigência de capital de giro mínimo como indicador preventivo de crise;

  • Limitação de transações entre clubes e empresas do mesmo grupo econômico;

  • Criação de um sistema de rating que premie boas práticas de gestão;

  • Sanções efetivas, com restrições de janelas de transferências mesmo após regularização de pendências;

  • Avaliação de idoneidade e capacidade financeira de dirigentes e novos proprietários;

  • Aplicação automática de punições com base em dados contábeis auditados.

Participação ativa nas discussões da CBF

O clube carioca afirmou estar comprometido com o desenvolvimento de um modelo nacional de fair play financeiro. No comunicado enviado à CBF, o Flamengo destaca seu engajamento nas discussões e parabeniza a entidade pela iniciativa.

“O compromisso do Flamengo transcende os números, dedicando-se ao esporte, à competição justa e a um Fair Play que represente os verdadeiros princípios do futebol”, afirmou o clube, ao justificar seu posicionamento no processo de construção do SSF.