Fim da linha! Marcos Braz deve dar adeus ao Flamengo

Marcos Braz em entrevista no CT do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
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Envolto em polêmicas no comando do futebol do Flamengo, Marcos Braz passou incólume por diversas crises do rubro-negro. O episódio de agressão a um torcedor em um shopping do Rio, na terça-feira, é somente mais um da sua trajetória praticamente intocável no clube, mas que pode estar perto de se encerrar. Antes mesmo do ocorrido, que inflamou ainda mais a crise vivida pelo time às vésperas da final da Copa do Brasil, o presidente Rodolfo Landim já tratava internamente o projeto de reformulação em 2024, e o nome do vice-presidente é um dos cotados para sair.

Braz tem sido o homem forte do futebol rubro-negro desde a primeira eleição de Rodolfo Landim, no final de 2018, quando foi chamado para ser o vice-presidente de futebol do Flamengo, cargo já ocupado por ele em 2009, quando o time foi campeão brasileiro. O grupo assumiu em 2019, e Braz foi o responsável pela contratação do técnico Abel Braga, que não entregou o esperado. A escolha de Abel não chegou a respingar tanto no VP, pois havia grande expectativa com o elenco que estava sendo formado: Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique e Rodrigo Caio, que chegaram no início do ano, e depois Filipe Luís, Rafinha, Gerson e Pablo Marí, no meio da temporada.

Na sequência, o acerto com Jorge Jesus e o sucesso retumbante do Flamengo em 2019 lhe valeram parte dos louros, uma vez que as principais contratações daquele ano entraram na sua conta. A saída de Jesus, que voltou para o Benfica por vontade própria, não chegou a estremecer as relações do dirigente com a torcida ou com o elenco.

Mas o estilo do português deixou marcas no clube, e o dirigente nunca conseguiu repetir o comando que Jesus tinha sobre o elenco estelar. Enquanto o treinador concentrava todo o gerenciamento do futebol em suas mãos, estava tudo sob controle. Com a sua saída, a falta de planejamento e de gestão de pessoas foi ficando evidente ano a ano.

Principalmente as apostas nos técnicos pós-Jesus passaram a cair no colo de Braz. Foram sete desde então: Domènec Torrent (2020), Rogério Ceni (2020/21), Renato Gaúcho (2021), Paulo Souza (2022), Dorival Júnior (2022), Vítor Pereira (2023) e Sampaoli (2023). Praticamente todos eles viveram alguma turbulência com torcida ou com elenco. A exceção foi Dorival Júnior, que foi demitido pela diretoria após ganhar a Copa do Brasil e a Libertadores, ano passado. A decisão do futebol comandado por Braz não caiu bem para parte da torcida.

Porém, os resultados e os reforços contratados ano a ano graças à bilionária receita do clube mantiveram Braz no cargo. Nesse período, ainda vieram Pedro, David Luiz, o retorno de Gerson, Ayrton Lucas, entre outros. Alguns não deram tão certo, como Arturo Vidal, Marinho e Everton Cebolinha, que continua no clube, mas não caiu nas graças da torcida.

Parte do chamado Conselhinho do Flamengo, um pequeno grupo de confiança do presidente Rodolfo Landim que trata das questões do futebol do clube e tem muita força política lá dentro, Braz até então tinha apoio político do mandatário rubro-negro. Mas à medida que a performance do time entrou em queda livre, tanto sob o comando do português Vítor Pereira, quanto nas mãos de Jorge Sampaoli, neste ano, a falta de planejamento da pasta de Braz ficou mais evidente. Assim como as dificuldades em lidar com um elenco que ganhou voz própria no clube e está dividido em grupos.

Nas arquibancadas, a cada derrota, eliminação ou perda de título, os nomes de Landim e Braz se tornaram os preferidos da torcida que vê ambos os dirigentes como responsáveis pelos insucessos do time, seja por escolhas erradas de treinadores ou pela falta de pulso firme com os jogadores e seus privilégios.

Nos últimos meses, tudo parece ter degringolado. Briga entre membro da comissão técnica e jogador; soco entre companheiros de equipe em treino e agora a agressão do dirigente a um torcedor. A relação com os principais nomes do elenco também desandou, e ele não conta mais com o apoio de Gabigol. E o antes intocável Braz já não tem tanta força para se segurar no cargo.

Retirado de: O Globo