A discussão sobre a possibilidade do Corinthians adotar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ganhou espaço nos bastidores do clube nas últimas semanas. A crise financeira enfrentada atualmente impulsionou parte da diretoria a considerar alternativas de gestão. Um dos modelos cogitados seria inspirado no Green Bay Packers, equipe da NFL, onde os torcedores têm participação societária por meio da aquisição de cotas.
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Ainda assim, a proposta enfrenta forte resistência interna. O Conselho Deliberativo e a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube, rejeitam de forma veemente qualquer modificação no modelo associativo vigente. Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo, foi categórico ao afirmar: “SAF nunca”. Para ele, mesmo que haja debates sobre reformas estatutárias, a essência associativa do clube deve ser preservada.
Paulo Roberto Bastos Pedro, membro do Conselho de Orientação (CORI), reforçou esse posicionamento. Segundo ele, o problema não está no modelo em si, mas na má gestão. “Virar SAF não vai mudar nada”, disse o conselheiro, que também atua como advogado especializado em falências. Ele acredita que uma SAF mal administrada pode levar o clube à ruína da mesma forma que uma associação.
A ideia de uma estrutura cooperativa, na qual torcedores comprariam cotas específicas voltadas exclusivamente ao departamento de futebol, encontra-se ainda em estágio embrionário. Contudo, mesmo como proposta inicial, já sofre rejeição expressiva nos bastidores.
Alexandre Domênico Pereira, presidente da Gaviões da Fiel, também se posicionou. “Somos totalmente contra. Um Corinthians fundado por operários não pode colocar isso em pauta”, afirmou. Para ele, mudanças devem se concentrar no estatuto e na transparência da administração, não em transformar o clube em empresa.
A discussão ganhou força após a rejeição das contas da atual diretoria, liderada por Augusto Melo. Tanto o Conselho Fiscal quanto o CORI recomendaram a reprovação do balanço. Assim, mesmo que de forma discreta, o tema SAF entrou em pauta — embora sem adesão suficiente para prosperar internamente.