Flamengo toma atitude envolvendo o Fair Play Financeiro no Brasil; veja

Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo (Foto: Reprodução)

O Flamengo apresentou, na segunda-feira (10), um conjunto de propostas para criação de um sistema de Fair Play Financeiro no futebol brasileiro. Entregue à comissão da CBF responsável pela elaboração do Sistema de Sustentabilidade do Futebol (SSF), o documento defende, entre outras medidas, o fim dos gramados artificiais e restrições a clubes que estejam em processo de recuperação judicial.

A iniciativa foi divulgada após uma reunião realizada na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, onde também foram debatidos temas como o uso de impedimento semiautomático.

O Flamengo se colocou à disposição para contribuir ativamente com o desenvolvimento e execução do SSF.

Fim dos gramados artificiais

Entre os pontos destacados, o clube carioca propõe a imediata eliminação dos gramados sintéticos de todas as competições profissionais no país.

Segundo o clube, a grama representa uma desigualdade de custos de manutenção e compromete a integridade física dos jogadores, além de gerar distorções competitivas. A mudança impactaria diretamente clubes que utilizam esse tipo de piso, como o Palmeiras.

Regras mais rígidas para clubes em recuperação judicial

Outro ponto central da proposta diz respeito aos clubes que recorrem à recuperação judicial ou extrajudicial. O Flamengo defende que, durante o deferimento da RJ/REJ e a homologação do plano, esses clubes sejam impedidos de registrar novos jogadores e ainda possam sofrer perda de pontos.

O objetivo é evitar que a suspensão de pagamentos de dívidas represente uma vantagem desportiva temporária em relação aos demais.

A proposta atinge diretamente clubes como o Vasco, que atualmente enfrenta pedidos de impugnação ao processo de recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Critérios financeiros e governança

O documento elaborado pelo Flamengo também sugere medidas para ampliar o controle sobre os gastos. Entre elas, está a definição de custos que vão além da folha CLT, incluindo luvas, direitos de imagem, comissões e bônus.

Além disso, propõe o bloqueio de brechas contábeis que disfarçam gastos do futebol profissional como investimentos em categorias de base ou futebol feminino.

A criação de um sistema de classificação com base em ratings de gestão, semelhante aos utilizados por agências especializadas, também integra a proposta.

Clubes com melhor avaliação teriam maior flexibilidade dentro das regras, incentivando a governança responsável.

Transparência e punições automáticas

O Flamengo defende ainda a aplicação de punições automáticas e eficazes, com foco na restrição de janelas de transferência, mesmo após a regularização da infração.

Outra medida proposta é a implementação de um “Teste de Proprietários e Dirigentes”, que avaliaria a capacidade financeira e integridade de quem pretende assumir o controle de um clube.

Ao final do comunicado, o clube reforça seu apoio à iniciativa da CBF e afirma que seguirá colaborando com o desenvolvimento do SSF:

“O compromisso do Flamengo transcende os números, dedicando-se ao esporte, à competição justa e a um Fair Play que represente os verdadeiros princípios do futebol”.