O Flamengo apresentou, na segunda-feira (10), um conjunto de propostas para criação de um sistema de Fair Play Financeiro no futebol brasileiro. Entregue à comissão da CBF responsável pela elaboração do Sistema de Sustentabilidade do Futebol (SSF), o documento defende, entre outras medidas, o fim dos gramados artificiais e restrições a clubes que estejam em processo de recuperação judicial.
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A iniciativa foi divulgada após uma reunião realizada na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, onde também foram debatidos temas como o uso de impedimento semiautomático.
O Flamengo se colocou à disposição para contribuir ativamente com o desenvolvimento e execução do SSF.
Fim dos gramados artificiais
Entre os pontos destacados, o clube carioca propõe a imediata eliminação dos gramados sintéticos de todas as competições profissionais no país.
Segundo o clube, a grama representa uma desigualdade de custos de manutenção e compromete a integridade física dos jogadores, além de gerar distorções competitivas. A mudança impactaria diretamente clubes que utilizam esse tipo de piso, como o Palmeiras.
Regras mais rígidas para clubes em recuperação judicial
Outro ponto central da proposta diz respeito aos clubes que recorrem à recuperação judicial ou extrajudicial. O Flamengo defende que, durante o deferimento da RJ/REJ e a homologação do plano, esses clubes sejam impedidos de registrar novos jogadores e ainda possam sofrer perda de pontos.
O objetivo é evitar que a suspensão de pagamentos de dívidas represente uma vantagem desportiva temporária em relação aos demais.
A proposta atinge diretamente clubes como o Vasco, que atualmente enfrenta pedidos de impugnação ao processo de recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Critérios financeiros e governança
O documento elaborado pelo Flamengo também sugere medidas para ampliar o controle sobre os gastos. Entre elas, está a definição de custos que vão além da folha CLT, incluindo luvas, direitos de imagem, comissões e bônus.
Além disso, propõe o bloqueio de brechas contábeis que disfarçam gastos do futebol profissional como investimentos em categorias de base ou futebol feminino.
A criação de um sistema de classificação com base em ratings de gestão, semelhante aos utilizados por agências especializadas, também integra a proposta.
Clubes com melhor avaliação teriam maior flexibilidade dentro das regras, incentivando a governança responsável.
Transparência e punições automáticas
O Flamengo defende ainda a aplicação de punições automáticas e eficazes, com foco na restrição de janelas de transferência, mesmo após a regularização da infração.
Outra medida proposta é a implementação de um “Teste de Proprietários e Dirigentes”, que avaliaria a capacidade financeira e integridade de quem pretende assumir o controle de um clube.
Ao final do comunicado, o clube reforça seu apoio à iniciativa da CBF e afirma que seguirá colaborando com o desenvolvimento do SSF:
“O compromisso do Flamengo transcende os números, dedicando-se ao esporte, à competição justa e a um Fair Play que represente os verdadeiros princípios do futebol”.

















